sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"PROSA EM MELODIA"



Se eu soubesse tocar violão
faria deste poema
o mais belo samba-canção.
Mas minha disritmia impede,
de fazer de mim alegre,
um verdadeiro compositor.

Imagine, o que faria
se esboçasse em melodia
minhas letras de amor?

Ah, se soubesse tocar violão...
tornaria o pesar da prosa
na melhor reunião sonora,
contagiando a multidão.

Seria o remédio do receio,
minha dor disfarçada em devaneios,
enfeitiçada pela voz que alcança o coração.

Nem precisaria mais ser lido.
Teria meus versos gravados aos pés de ouvido
mantendo em tons e acordes da minha ilusão.

Ah, se tocasse violão...
mostraria um mundo de poesias,
na forma da mais serena harmonia
dissimulando em música minha solidão.

Se tocasse violão,
mil notas seriam as letras,
palavras versadas em silhuetas
Do que penso e debuxo em papéis de pão. (IC)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

"VISÃO POÉTICA"

O poeta expõe o coração em palavras;
as palavras expõem o poeta em dor;
a dor expõe sua alma elevada;
e a alma expõe seu áureo fulgor.

Nas palavras de ilustre sentindo
suas brandas fomentam seus dotes faceiros.
Amiúdes freqüentes que emanam cultivos,
desgraças, defeitos, angústias, anseios...

O poeta segue fiel ao inevitável,
uma imagem vertiginosa do fel.
Mancomuna seus imos inquietos de apelo,
e traça as origens de seu próprio Téo

E repleto do que quando mais nada convém,
bloqueios dados pelos próprios defeitos,
a voz que clama, sussurrando desejos,
inspiram a fresta mais novos devaneios.

E com a fome miserável das artimanhas,
vem das chamas o ardor do lume.
Esfera próxima ao que derrama,
dos rasos solos aos saltos cumes

Os mórbidos comodismos cabulam,
elegem calvários, desilusões.
O mantra do afago é o martírio,
que na crosta penumbra questões.

E então, quando enxerga o sentido,
despeita em garranchos labéu.
Palavras que cercam dos ares, condutas,
e aproximam o poeta ao céu. (IC)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"MEUS POEMAS"


Meus poemas têm ritmo, melodia,
são escritas do cerne, palavras tinhosas,
compostas em rima.

Prosas de engasgo,
duro nefasto,
elo da sina.

São minutos segredos,
vertigem ou medo,
origem altiva.

Não sei se me escondo
ou me exponho
Em frases que,
suponho,
Não penumbra a quem reflita. (IC)